Cartoon – Martelo – 1999

Cartoon – Martelo – 1999

Banda de rock progressivo de Minas Gerais, o Cartoon vem nos brindar com ótimas composições e arranjos, em um disco fantástico de estreia. Sucesso nos EUA, a banda vai se modificando conforme sai seus discos.
Para esta coluna, escolhi justamente o primeiro, Martelo, para apresentar o som para muitos que aqui não conhecem. Certamente vão gostar e procurar outros discos.
O nome da banda veio no início dos anos 1990, quando a palavra não era popular no Brasil, fruto da paixão dos membros por desenhos animados – segundo o vocalista Khadhu Capanema, muitas das canções do grupo “são como desenhos animados, onde tudo pode acontecer.”
O disco é perfeito. Não é exagero. Uma produção impecável e um encarte bonito e, por que não, divertido? As letras, com exceção de First Lake Conclusion são todas em português e trazem mensagens positivas e bem humoradas. As canções são todas muito bem trabalhadas, técnicas, com viagens à la Frank Zappa e vocalizações que muito lembram Queen e especialmente, Yes.

E por falar em técnica, isso é o que não falta para Boxexa (teclados, castanhola e voz), Khadhu (baixo, violão gaita, esraj, sitar e voz) Vlad (guitarras, violão, baixo e voz) e Bhydhu (bateria e percussão).
Bora conhecer o disco? Então atenção, tem algo escondido no texto a partir de agora…

 
Começando com a “Abertura”, o disco parece ter o tom conceitual. Eles se apresentam na letra da música como sendo quatro personalidades inspiradas na pessoa superior que nos habita e lá do alto nos excita o coração. Segundo a canção, eles têm oito mil anos de idade e não ligam para quem não acredita, afinal, a história está escrita na canção. E a história já os cita com emoção… Segue o disco com “Duend´s”, letra divertida e confusa, lembrando bastante algumas (várias) passagens de Yes(este disco e essa banda tem muito de Yes).

A música seguinte é “Tenho Todos os Galhos da Minha Árvore Voltados para o Sol”. Título grande, para uma música acústica muito bonita. Baixa bem o espírito Jon Anderson em Khadhu que, arrisco-me a dizer sem errar que está entre os melhores vocalistas de rock da atualidade. Voltando a ficar mais animado, o disco segue com “Estagnação”, com uma letra ótima (a parte cabeça da banda).

Relativizando estilos, um sambinha com peso apresenta a banda com a raiz brasileira. “O Amor”, que tem uma letra bem bonitinha… “chamei a véia pra passear no meio da praça, aahh, que prazer que isso me dá, nunca pensei que sendo véio desse troço eu ia gostar. E hoje por causa do amor eu me sinto mais vivo, me sinto mais grande do que o infinito…”

Trazendo um pouco de história para o disco, “A Verdade Sobre os Incas” fala de como uma sociedade foi massacrada pelos invasores espanhóis, matando estuprando e roubando em nome de Deus…

Outra música na linha cabeça nas letras, é a “Abre Seu Olho, Irmão”. Nela, além de uma crítica social interessante, tem uma quebrada de baixo ótima aos ouvidos. Mas é em “Lágrimas de Vidro” que a banda mostra seu ápice no disco. Composição maravilhosa, letra linda. Uma das músicas perfeitas do rock atual (mesmo não sendo tão atual assim).

O ontem e o hoje não é existente. Assim, a banda nos mostra “Tempo”, com uma vocalização em certas passagens que lembram Bee Gees. Logo depois, vem a única música em inglês do disco, “First Lake Conclusion”, uma ótima canção, mas que passa desapercebida no disco.

Na hora de encerrar, é em “Fechadura” que a banda nos surpreende com uma música engraçada e explosiva. O disco é incrível. Poucas bandas depois dos anos 90 conseguiram um disco de estreia tão impactante quanto o Cartoon. Duvida? Ouça e se delicie…

 

 

E ae, curtiu a resenha? E encontrou o que está escondido?
Seguinte, quem encontrar vai receber uma cerveja em casa. Basta responder aqui nos comentários que eu enviarei, firmeza?

Para acompanhar este disco, nada melhor que uma cerveja que para um show, música ou disco do Cartoon, já se tornou clássica. Colorado Indica. Cerveja do estilo American IPA com adição de rapadura. Apresenta amargor extremamente equilibrado, suavemente tostado, tornando o conjunto refrescante e ricamente saboroso. Um pouco confusa no início, mas depois ela fica extremamente agradável. Assim como o som do Cartoon.

Um brinde!

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Pedro Cindio - Jornalista narigudo, músico frustrado e apaixonado por música, tenho um toc de só escutar discos completos. Cervejetariano e feio, mas meu humor salva a aparência.