Discos Escondidos #074: Ave Sangria – Ave Sangria (1974)

Discos Escondidos #074: Ave Sangria - Ave Sangria (1974)
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Ave Sangria é uma banda brasileira que une psicodelia ao rock e que é um dos principais conjuntos oriundos de Pernambuco durante os anos 70, uma época extremamente prolífica para a música desse estado extremamente importante para a arte brasileira.

Adotando esse nome por sugestão de uma cigana que conheceram na Paraíba, a banda se chamava inicialmente Tamarineira Village. O vocalista Marco Polo explica essa história: “Ela gostou da nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria pelo lado forte, sanguíneo e violento do Nordeste. O ave pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho”.

Tendo iniciado suas atividades no final dos anos 60, o grupo lançou em 1974 um álbum autointitulado e, no fim das contas, mesmo com esse único disco de estúdio na época (e que disco!), Ave Sangria se tornou uma banda conhecida como os “Stones do Nordeste” e seu disco de estreia é considerado um marco dos anos 70.

Discos Escondidos #071: Impacto Cinco – Lágrimas Azuis (1975)

Produzido por Marcio Antonucci, um ídolo da Jovem Guarda, durante as gravações do álbum existiram alguns conflitos entre o conjunto e seu produtor. “Ele não entendeu nada daquela mistura de rock e música nordestina que a gente fazia e deixou as sessões rolarem. O diabo é que a gente também não tinha a menor experiência de estúdio”, afirma Paulo Rafael, guitarrista da banda.

Mesmo um pouco mais acústico do que o planejado, Ave Sangria sem dúvida merece um lugar ao lado dos maiores lançamentos da música brasileira da primeira metade da década de 70. Essa união da psicodelia e de instrumentos acústicos com guitarras distorcidas e percussões variadas que consegue amalgamar estilos que vão do blues e rockabilly até a música nordestina – tudo envolto em muita poesia – forma definitivamente uma mistura sui generis que merece ser ouvida de novo e de novo.

Discos Escondidos #028: Raimundo Fagner – Eu Canto/Quem Viver Chorará (1978)

Do álbum, destaco as faixas: Dois NavegantesLá ForaMomento na PraçaCidade GrandeSeu WaldirPor que? Corpo em Chamas.

Sem mais delongas, Ave Sangria e a obra-prima que é seu disco de estreia:

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Cineasta, escritor e compositor, vive procurando novos discos pra ouvir e é fanático pela música dos anos 60 e 70. Escreve sobre Discos Escondidos nem tão escondidos assim e seu EP "4 Baladas Vermelhas" foi lançado em Dezembro de 2014 aqui no Jardim Elétrico.