Entrevista: Pietá

Entrevista: Pietá

No começo do mês, o Jardim Elétrico falou sobre a banda Pietá. O grupo nasceu em meio à boêmia de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Mas a sonoridade do trio vai muito além das ladeiras do bairro carioca. A começar pelo encantador sotaque natalense da intérprete Juliana Linhares. Depois de três anos tocando por todo o Rio, Pietá desembarca em São Paulo. Temporada paulista, álbum de estréia, mistura de sons: eles falaram sobre tudo isso nessa entrevista pro Novos Ares. Levem o que quiserem!

Novos Ares: Primeiro, vamos falar sobre a ida para São Paulo. Por que decidiram passar um tempo lá?

Pietá: Sempre tivemos vontade de tocar em SP, como em todo canto desse país, rs. Mas mudar de cidade não foi uma decisão direta da banda. O que aconteceu é que entramos pro elenco do musical “Gabriela”, com direção do mestre João Falcão, que está sendo produzido todo aqui em Sampa em parceria com a Caradiboi. João acabou facilitando o nosso desejo de vir e agora a gente tá louco pra tocar por aqui!

Novos Ares: O que vocês esperam dessa temporada paulistana? Já tem planos?

Pietá: Estamos entregues ao trabalho de montagem da peça e junto com isso vem o desejo de tocar pra gente nova, conhecer os artistas daqui, mostrar nosso som, interagir com a cidade. Os planos são esses, fazer uma peça linda e desbravar SP.

Novos Ares: Já sabem de quanto tempo será essa temporada? Voltam pro Rio depois?

Pietá: Deve durar uns 5 meses e depois a gente retorna pra nave mãe.

Novos Ares: Já tem cinco meses que o “Leve o que quiser” foi lançado. Como o disco vem sendo recebido pelo público nos shows que vocês vem apresentando?

Pietá: Cada show é uma surpresa. Na Zona Sul, na Zona Norte, no Circo Voador ou em Natal… Foi chocante. Pessoas desconhecidas cantando as músicas e uma energia muito forte no palco. Isso nos diz muito. E com a nossa vontade de espalhar música nova no mundo, há sempre novos rostos e mais partes de letras decoradas, e o coro vai se fortalecendo e a gente vai junto com ele.

Novos Ares: Vamos falar um pouquinho sobre o disco. Como vocês definiriam o álbum? É o resultado de três anos de estrada da banda?

Pietá:  É bem isso. O disco foi lançado após esses três anos de banda – três anos intensos cheios de loucuras e maravilhosidades – com participações que fizeram parte das nossas descobertas, que estiveram com a gente nesse tempo, com a colaboração de seguidores que unimos nesse tempo, com as músicas que levamos por aí. E fomos amadurecendo o som até chegar no “Leve o que quiser”.

Novos Ares: Como vocês escolheram as participações no disco?

Pietá: Os músicos que tocaram e a galera que cantou no coro de “Cunhã” são parceiros de alma, foram eles que estiveram com a gente desde o início, ninguém conseguiu pensar em outras pessoas. As participações especiais vieram de um desejo em comum de nós três, de identificação com o trabalho e admiração. O Beto Lemos é um casório com nosso som, o Cláudio Nucci, nosso padrinho amado, dono de uma voz condutora e surpreendente, o Carlos Malta, um arrepio musical, o pife do prenúncio, rs, e o Chico César é aquela personalidade de artista que nos encanta pra além da esfera da música. Enquanto estávamos pensando a dramaturgia do álbum, o time foi se formando de uma forma muito natural. Só gente querida reunida.

Novos Ares: Dá pra definir o som do Pietá?

Pietá:  A gente se juntou pra ver no que dava. Pra ouvir e mostrar músicas novas. Não se sabia a cara que ia ter ou o gênero, se seria banda ou só uns domingos entre amigos. É difícil definir, mas costumamos dizer que fomos roubando de um e de outro, sambando de música popular regional original brasileira acústica de jardim, o repertório transitório, transeunte, transitivo de Pietá, por vezes autoral, por vezes saudação. Todo o resto viria a nascer disso tudo.

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A música guia meus caminhos. Atrás de melodias, virei jornalista e vim parar no Rio de Janeiro. E isso é só o começo.

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