Exclusivo: Dabliu Junior – Quando eu Tiver 70 Anos + Ela e o Vendaval (single)

Exclusivo: Dabliu Junior – Quando eu Tiver 70 Anos + Ela e o Vendaval (single)

Foto Erick Reis

foto de Erick Reis

Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.”

Com essa afirmação, Fernando Pessoa abriu uma carta que endereçou ao, na época, jovem Miguel Torga que lhe pedia um parecer sobre um livro que acabara de escrever. Na carta, Pessoa enumerou conselhos, começando pelo citado acima. Sintetizando os outros conselhos do poeta, temos que a sensibilidade só pode ser transmitida através da arte quando é transformada de algo totalmente íntimo para algo geral, sem perder a essência do sentimento. Ele estava correto, para que haja a comunicação sensível entre as pessoas deve-se haver a identificação.
Agora é hora do músico curitibano Dabliu Junior se comunicar com você, comigo e com terceiros.

No início do ano de 2012 um homem de nome incomum me adicionou em uma rede social para apresentar sua proposta de trabalho num CD que ganhou vida no mesmo ano, “Sobre Os Ombros de Gigantes”. Como escrito pela Lara Morais, nesse mesmo site, o disco de 2012 de Dabliu foi a ponte que provocou o encontro do eu com o seu ser interior para cada ouvinte. E não era para menos: a voz suave de Dabliu pousa atrás da orelha e se aloja para atingir o ponto mais profundo possível do âmago, além das composições marcantes.

“O Jardim da Perpétua Primavera” é o nome do trabalho de Dabliu que vai acompanhar “Sobre Os Ombros de Gigantes”. Sim, acompanhar. É engraçado utilizar o verbo “substituir”, como se usa tanto por aí, para designar o lançamento de um sucessor. Nada será substituído, apesar do amadurecimento de Dabliu ser muito perceptível nessas duas canções singles, mas muita coisa boa será acrescentada à trajetória desse músico surpreendente.

No intervalo de 2012 para cá, Dabliu passou por algumas mudanças na vida pessoal que transformaram, também, o seu trabalho. É nesse ponto que voltamos ao que Pessoa diz sobre sensibilidade e arte: qualquer pessoa que ouça o CD anterior e compare aos singles notará que Dabliu transmite com fluidez energias e faz com que o ouvinte busque em todos os cantos de sua memória uma situação pessoal para semelhar com as mensagens das canções. E, então, tem-se a identificação.

“Quando Eu Tiver 70 Anos”, título que remete ao poema de Leminski – conterrâneo de Dabliu -, o músico cria um universo existencial no qual tenta enxergar o futuro baseando-se no que tem no presente. Em “Ela e o Vendaval”, Dabliu nos conta uma história de amor na qual a felicidade é o bem maior independente dos caminhos traçados, acompanhado da voz surreal de Gui Sales.
De arrancar lágrimas, suspiros, sorrisos, desejos…

A composição do plano puramente musical é parte fundamental para o sucesso desse single duplo. Os arranjos e os instrumentos foram escolhidos minuciosamente para causar a libertação dos sentidos e da consciência do receptor. Bogdan Skorupa, Emerson Gogola, Luis Fernando Diogo, Stéfanos Pinkuss e Eduardo Karas são os músicos que acompanharam Dabliu durante esse processo. A participação de Gui Sales em “Ela e o Vendaval” provoca um dueto à moda de Chico Buarque e Telma Costa em “Eu Te Amo”, com o toque jobiniano de bossa nova ao fundo.

A relação lagarta-borboleta está presente aqui. Dabliu sofreu uma rica metamorfose, tanto pessoal como profissional. Ele é, agora, uma borboleta que constrói o seu “Jardim da Perpétua Primavera” para gozar eternamente da delícia do perfume das flores. E, enquanto o CD não fica pronto, deixamos que ele vá plantando suas lindas flores no nosso Jardim Elétrico, e percorra com o seu voo e sua beleza todo o nosso espaço.

Mas quem faz a colheita é você:

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Uma mistura de garota de Ipanema, dançarina do ventre cigana, matemática mística e sereia tropical, com reencarnações literárias e acordes distorcidos. Estudante de jornalismo no mundo real.

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