Lô Borges- Lô Borges – 1972

Lô Borges- Lô Borges – 1972

De volta as raízes mineiras, pois esta coluna não aguenta ficar muito tempo sem falar das belezas sonoras das terras gerais!

Conhecido como disco do tênis, por conta da história da capa, a primeira obra solo de Lô conta com diversas faixas que se tornaram clássicas logo em seu lançamento. Foi uma correria a gravação deste disco, conforme relata Lô em seus shows. Composição durante o dia para gravar na parte da noite e madrugada. Fez-se assim, um grande exercício de composição, mostrando que talento e inspiração de nada valem sem a transpiração.

Mesmo sendo um garoto, com apenas 19 anos, Lô chegou mostrando para que veio no mundo da música. Considerado um dos melhores discos experimentais do Brasil naquela época, o disco mescla o rock, a MPB, progressivo, psicodelia, bolero, jazz… Ou seja, um disco inclassificável.

Sobre a história da capa. Lô havia gravado e estava escolhendo a arte do disco. Encarte e fotos internas estavam escolhidas, mas a capa ainda estava uma incógnita. Conta Márcio Borges, em seu livro “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina” que de tantos palpites, Lô se irritou e pediu para tirar a foto de um tênis todo velho e surrado que ele tinha. “Pronto, será essa a capa”. Mesmo com pessoas sendo contrárias, Lô parecia se incomodar com seu rosto na capa de um disco. E assim, eternizou um tênis…

São 15 faixas com pouco mais de meia hora de disco. Este ano, Lô começou a turnê tocando-o na íntegra, com os arranjos originais.

Enfim, hora de conhecermos esta obra.

O disco abre com “Você fica melhor assim”, uma pegada de rock/ hard rock que pegaria muito bem nos anos 80. Lô se antecipou nesta faixa o que os americanos explodiram depois. A guitarra foi gravada pelo mestre Beto Guedes. Seguindo com “Canção Postal”, a música é a marca que iria se registrar nos artistas oriundos do Clube…, violão folk e arranjos para cantar junto.

“O Caçador” segue como uma parte mais moderna, no estilo pós-tropicalismo de ser. Mas um detalhe importante dessa música muitas vezes passa desapercebido. A melodia encaixa perfeitamente na canção “Trem Azul”, do próprio Lô com Milton Nascimento gravada no Clube.

“Homem da rua” é uma valsinha rock bem interessante, seguida por “Não foi nada”,

mesclada depois com a psicodélica jazz instrumental da “Fio da Navalha” e a triste instrumental “Calibre”.

O disco vai seguindo com a nebulosa balada “Faça Seu Jogo”, com orquestração de Dorival Caymmi. A fusão do rock com a mpb segue com a balada “Não se apague esta noite”. O disco, neste instante, nos mostra um pouco de melancolia. O disco segue com uma música um tanto bizarra, “Aos Barões”.

Para fechar o disco, três excelentes canções. A tristonha “Como o Machado”, a balada cabeça, que já esteve presente nesta coluna no disco d’Os Borges(e também nos discos escondidos – clique aqui para ler-)   “Como você é” e “Tôda essa água”.

Um disco que já nasceu um clássico, afinal, a escola mineira tinha como referência o melhor do jazz e do rock progressivo, além de ter ao lado na caminhada monstros da música brasileira.

 

Para este disco, tive que escolher uma cerveja de Belo Horizonte, pois neste momento tem que rolar um pouco de bairrismo. Apresento-lhes a Backer Bohemia Pilsen, da cervejaria Backer. Encorpada, com um sabor marcante do malte, ela é uma cerveja que lembra as receitas mais antigas (e puras) das cervejas nacionais (antes de entrar na larga produção e estragar as receitas com cereais não maltados).

Um brinde a todos!!!

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Pedro Cindio - Jornalista narigudo, músico frustrado e apaixonado por música, tenho um toc de só escutar discos completos. Cervejetariano e feio, mas meu humor salva a aparência.