Carol

Carol

As consequências do relacionamento, do desconhecido e do efêmero. Todas elas podem se tornar ruins ou boas, é instável. No entanto, quando um filme aborda tais perspectivas e fatos de maneira sutil, simbólica, crua e espiritual, a verossimilhança é notável. Esta é a ilustração de “Carol”, dirigido por Todd Haynes. Adaptado do livro “The Price of Salt”, escrito por Patricia Highsmith, em 1962, a história aborda a paixão entre Carol Aird e Therese Belivet durante os anos 60.

Sim, esta é a sinopse do filme, pois não há mais nada complicado e subjetivo a ser explicado previamente. Uma história de amor contada de maneira tão delicada e perspicaz que não desequilibra em sua continuidade narrativa. O roteiro ergue uma superfície sofisticada e elabora a garbosidade e elegância da sociedade na época, inserindo componentes adjacentes, como pequenas inserções sobre política, com alívios cômicos que caracterizaram a perspicácia dos personagens. Aliás, tal retratação temporal se destaca no design de produção, figurino e fotografia, enaltecendo a sofisticação e composição de luz natural e acinzamento.

A direção busca tratar a relação e a interação das personagens através de manifestações de afeto que fujam da convencionalidade, como a filmagem de mãos e braços. Pouca movimentação com câmeras de mão, mas certeiras, para intensificar a sensação do personagem em questão, tracking shots que cooperam com a simbologia característica de Haynes, onde as expressões faciais e inteiramente corporais são mostradas através de janelas e vidros, focando nos semblantes.

As atuações de Cate Blanchett e Rooney Mara são formidáveis e que solidificam as características das personagens. Enquanto Carol é uma mulher mais dissimulada, insinuante, discretamente sensual e analítica, Therese carrega consigo a inocência jovial, ressentida e que levanta dentro de si as diversas indagações recorrentes em sua relação com a par romântica. Divergências estas que são indicadas e explícitas pelo coerente e preciso roteiro.

O diretor Todd Haynes disse que não pretendia fazer um romance homossexual. Que apenas gostaria de reproduzir fielmente uma relação tais quais outras, independente de seus gêneros e orientações sexuais. E todo o toque sublime, delicado e preciso do trabalho de todas as partes de Carol o faz ser um dos melhores romances dos últimos anos.

Confira o trailer:

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Jornalista hiperativo, estranho e que ama falar e escrever. Sou o que sempre busco ser. Comunicar e mudar as pessoas. Levar o bem através de tudo que amo!

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