Rotações: Pélico

Rotações: Pélico
Rogério von Krüger

foto de Rogério von Krüger

“Você escreveu minha vida amorosa em algumas músicas” foi uma das primeiras frases que disse a Pélico em uma conversa casual em algum fim de semana, pensamento certamente compartilhado por várias pessoas que se jogam em suas canções.

O paulistano original da zona leste é dono de um estilo diverso que conta com agitação e suavidade, o que é mostrado em seus dois trabalhos disponibilizados: O último dia de um homem sem juízo (2008) lembra um rock dosado pelas guitarras, enquanto Que isso fique entre nós (2011) traz reminiscências de gêneros românticos em sua composição através dos instrumentos de sopro. Este último recebeu – e recebe até hoje – grandes elogios da crítica e do público, sendo a voz de Pélico de uma mansidão clara e combinando nitidamente com a proposta do CD.

Além de proporcionar dois lindos discos, também contribuiu para abrilhantar os trabalhos de cantores como Toni Ferreira e Filipe Catto, com as composições Olha Só e Sem Medida respectivamente, e teve Que isso Fique Entre Nós incluída na última produção d’A Banda Mais Bonita da Cidade. As parcerias não pararam por aí, também emprestou sua voz para combinar com as de Barbara Eugênia, Guri e Paulo Carvalho durante a brecha do último para o próximo disco, que sai no início do ano que vem. Pélico vem mostrando peças de seu novo trabalho em shows, as canções “Escrevo” e “Meu Amor Mora no Rio” já ganharam espaço e bastante apreensão por parte do público. Enquanto 2015 não chega, vale resgatar as produções e contribuições de Pélico.

Com sua feição e jeitinho de amante latino somados ao seu carisma único, ganha a simpatia daqueles que o conhecem e a admiração daqueles que escutam sua música, assim foi convidado por Tom Zé para participar de seu projeto em 2012. Não há dúvidas de que Pélico é o tipo de pessoa e artista que merece ser adjetivado “querido”, seja como afeto ou como predileção.

Em seu intervalo desde o último disco, Pélico registrou em vídeos bem produzidos versões de Lulu Santos, Cartola e Caetano Veloso, os quais leva como influência. Mas, entre essa tríade e as outras diversas influências dele, qual foi o disco que mais inspirou sua carreira?

“Querendo ou sem querer, a partir desse disco, Lulu (junto com o Liminha, produtor do disco) conduziu a sonoridade de toda uma geração. A música pop brasileira nunca mais foi a mesma. Desde a jovem guarda, nada foi tão poderoso quanto “Tempos Modernos”.
Minto, no mesmo ano, a Blitz lançou o “As Aventuras da Blitz”, um arregaço estético na cultura pop. Mas, pensando bem, “Tempos Modernos” é muito mais legal. Sinto vontade de voar.“

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De São Paulo, apaixonada por cultura, arte e comportamento humano. Movida a música.

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